sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Soldado destemido I

       A batalha de Stalingrado foi um dos conflitos mais dramáticos da Segunda Guerra Mundial, durando cinco meses e terminando com um número de mortos estimados em 2 milhões de pessoas. Quando deram início aos confrontos, os nazistas chegaram com ataques aéreos, mais de 150 mil soldado em terra e 500 tanques de guerra, e em determinado momento eles chegaram a dominar 90% da cidade. Contudo, quem disse que os russos são de se render fácil?
       A expectativa de vida dos soviéticos era de algumas horas durante a batalha, mas isso não serviu para assustar Mikhail Panikakha, que se voluntariou para lutar em Stalingrado. Um ataque nazista estava ameaçando dividir a defesa soviética ao meio e tirá-la da cidade quando a posição na qual Panikakha se encontrava foi atacada.
       Os russos conseguiram vencer essa primeira investida milagrosamente, mas logo veio uma segunda - reforçada com tanques. Os alemães pretendiam passar por cima as trincheiras soviéticas e enterrar os ocupantes, só que eles não contavam que tropeçariam com Panikakha. Prestes a ser esmagado por um dos tanques, o soviético - que já tinha usado toda a sua munição - saltou da trincheira armado com dois coquetéis Molotov.
      Por azar, um dos coquetéis foi atingido por um tiro alemão, fazendo com que Panikakha se transformasse em uma bola de fogo. O soviético, então, se atirou contra o tanque empunhando o outro coquetel Molotov, voando pelos ares juntamente com o veículo e seus ocupantes. A explosão deve ter sido assustadora, pois fez com que os demais tanques recuassem. Os alemães suspenderam o ataque imediatamente.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Auschwitz e seus relatos

Localiza-se na cidade de Oświęcim, no sul da Polônia, uma área polonesa anexada pela Alemanha Nazista. Era uma rede de campos de concentração e de extermínio com cerca de 48 no total. Hoje é considerado o maior local de assassinatos em massa. Foi construída porque o número de presos nas prisões excediam as suas capacidades. 
Em torno de janeiro de 1945, soldados soviéticos invadiram o complexo (os nazistas tinham evacuado poucos dias antes) e encontraram cerca de 7 mil prisioneiros vivos e vestígios do que acontecia naquele local.
Pelas estatísticas, morreram mais pessoas em Auschwitz do que a soma das perdas dos britânicos e dos estadunidenses. Durante 4,5 anos de sua existência, 1.3 milhão de pessoas foram enviadas para os campos, sendo que 1.1 milhão faleceu e 1 milhão eram pessoas judias.
Um guarda da Schutzstaffel (SS) se apaixonou por uma prisioneira judia em Auschwitz e salvou sua vida inúmeras vezes enquanto ela esteve no campo de concentração. A mulher, por sua vez, testificou a favor do soldado nazista quando ele foi julgado por seus crimes depois que a guerra acabou.
O soldado polonês Witold Pilecki se voluntariou para ser enviado a Auschwitz como prisioneiro para reunir informações, escapar e, então, fazer o mundo inteiro saber sobre o Holocausto e as atrocidades cometidas nos campos
Havia cerca de 170 mulheres nazistas trabalhando no campo de concentração, e a mais perversa delas foi Irma Grese. Conhecida entre os prisioneiros como 'A cadela de Belsen', Irma desfilava por Auschwitz usando botas pesadas, chicote e pistola. Quando foi presa pelos soldados aliados, ela tinha em seus aposentos abajures feitos com pele humana. A nazista foi condenada à forca aos 20 anos de idade por seus crimes.
Dos cerca de 7 mil nazistas que trabalharam lá durante a Segunda Guerra Mundial, apenas 750 foram punidos por seus crimes.


 Prisioneiros libertados pelos
                                                                                                       soviéticos em 1945

                                 


Entrada do Auschwitz I


Drone mostra imagens de Auschwitz

Guerra - Cecília Meireles

                                              Guerra


Tanto é o sangue
que os rios desistem de seu ritmo,
e o oceano delira
e rejeita as espumas vermelhas.

Tanto é o sangue
que até a lua se levanta horrível, 
e erra nos lugares serenos,
sonâmbula de auréolas rubras,
com o fogo do inferno em suas madeixas.

Tanta é a morte
que nem os rostos se conhecem, lado a lado,
e os pedaços de corpo estão por ali como tábuas sem uso.

Oh, os dedos com alianças perdidos na lama...
Os olhos que já não pestanejam com a poeira...
As bocas de recados perdidos...
O coração dado aos vermes, dentro dos densos uniformes...

Tanta é a morte
que só as almas formariam colunas,
as almas desprendidas...- e alcançariam as estrelas.

E as máquinas de entranhas abertas,
e os cadáveres ainda armados,e a terra com suas flores ardendo,
e os rios espavoridos como tigres, com suas máculas,
e este mar desvairado de incêndios e náufragos, 
e a lua alucinada de seu testemunho,
e nós e vós, imunes,
chorando,apenas,sobre fotografias,
-tudo é um natural armar e desarmar de andaimes
entre tempos vagarosos,
sonhando arquiteturas.

                                                                                               Cecília Meireles
                                                                                               (disponível aqui)

Totalitarismo

É uma forma de governo onde o Estado, sempre controlado por alguém 'superior', seja uma pessoa, um político, uma classe ou uma facção, não reconhece os limites de seu poder e impõe regras rígidas na vida pública e privada de todos, usando a força militar para reprimir aqueles que são contra.
Atualmente, podemos perceber algumas tendências totalitárias ao redor do mundo, como o racismo e o preconceito com pessoas de diferenças raças, religiões ou orientações sexuais. Um exemplo é a política francesa Marine Le Pen, filha de Jean-Marie Le Pen. Ela é contra os imigrantes, principalmente os muçulmanos, com quem ela desenvolveu um sentimento desagradável e de superioridade.
Outro exemplo é o Estado Islâmico, que executa, ao vivo, pessoas de todo o mundo e destroe monumentos históricos antigos.
A ditadura também é totalitária, é um poder não democrático e concentrado em apenas uma instância. A ditadura do Brasil ou de Portugal, onde o poder dominante era o militar. O governo ditatorial de Hugo Chávez, que possuía uma forte postura nacionalista, queria implantar o socialismo do século XXI e inibir os interesses da burguesia estadunidense.
Os regimes fascistas e nazistas são os maiores exemplos. São governos que se apoiam em quatro tópicos: totalitarismo, nacionalismo, idealismo e militarismo, todos contra a igualdade das raças e outros 'rótulos' impostos as pessoas.
A globalização é quase uma tendência totalitária. Nela os costumes e culturas são igualados, na hegemonia cultural e social, e um padrão é estabelecido para todo o mundo de acordo com o capitalismo.
Todos esses exemplos são poderes cruéis e são comuns na nossa sociedade.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

O dia D

   "Este é o Dia D", anunciou a BBC ao meio-dia. "Este édia". A invasão começou!

 O diário de Anne Frank. Edições BestBolso 21a edição, 2013. pg.342


No vocabulário militar, o Dia D é um termo usado frequentemente para denotar o dia em que um ataque ou uma operação do combate devem ser iniciados. No livro da Anne Frank, é a invasão da Inglaterra nas cidadezinhas francesas dominadas pela Alemanha.

Injustiça

   "O mundo virou de cabeça para baixo. As pessoas mais decentes são mandadas para campos de concentração, prisões e solitárias, enquanto os mais baixos dos mais baixos governam jovens e velhos, ricos e pobres. Um é preso por negociar no mercado negro, outro por esconder judeus ou pessoas desafortunadas. Se você não é nazista, não sabe o que vai lhe acontecer de um dia pro outro".

          O diário de Anne Frank. Edições BestBolso 21a edição, 2013.pg.336

A injustiça é algo que favorece poucos. Mesmo assim praticada por todos do mundo, em todas as épocas, desde os grandes impérios até hoje, nas ruas. A sociedade sempre foi dividida em 'superior' e 'inferior', como se realmente existisse um melhor do que o outro. Todos devem ser considerados iguais perante a lei, como pregavam os filósofos iluministas. A justiça muda conforme os pensamentos considerados certos pelos homens da época. Se pegarmos leis da Idade média, do nazismo ou da democracia, todo o pensamento de alguém está embutido. isso é mais percebido nas leis totalitárias, como as do nazismo. Na democracia, o pensamento do povo e até dos governantes está junto. Então, por que é injustiça? Porque não é o pensamentos de TODOS. Um problema razoavelmente fácil de resolver, que só não é resolvido porque os não honestos não permitem.

Cada um por si e todos por todos

   "Nenhum país sacrifica seus homens sem motivo, e com certeza não o farão pelo interesse dos outros, e a Inglaterra não é exceção. A invasão e a libertação virão algum dia;mas a Inglaterra, e não os territórios ocupados, é que escolherá o momento".

              O diário de Anne Frank. Edições BestBolso 21a edição, 2013.pg.333

Cada pessoa ou país tem o seu próprio interesse em uma determinada situação. Por influência, a escolha dessa pessoa ou desse país beneficia ou prejudica vários outros, pois o mundo sempre esteve e sempre estará conectado de qualquer forma. Então, como já falado em outro post, esse comportamento acaba gerando uma dependência impercebida entre certos países. No caso da Anne Frank, a Holanda (incluindo judeus refugiados) acaba dependendo da Inglaterra.

Vídeo sobre a 2 Guerra



              O vídeo é do canal Poligonautas e pode ser acessado clicando aqui

Filmes, documentários e livros sobre a Segunda Guerra Mundial

  • Arquitetura da destruição (1989) : trata sobre o uso da arte e da estética pela Alemanha nazista
  • Prelúdio de uma guerra (1942) : mostra a visão do governo americano sobre a invasão japonesa na Manchúria, a conquista da Etiópia pelos italianos e a movimentação das tropas nazistas em direção ao Leste Europeu
  • Nos braços de estranhos (2000) : apresenta as relações familiares adotivas durante a guerra
  • Hotel Terminus (1988) : mostra a vida de um criminoso nazista
  • Sob a névoa da guerra: Onze lições da vida de Robert S. McNamara (2003)
  • Os heróis não se entregam (1968)
  • Corações de ferro (2014)
  • Sobrevivi ao Holocausto (2012)
  • Documentário Redescobrindo a Segunda Guerra Mundial - National Geographic
  • Resistência - Agnès Humbert
  • História da Segunda Guerra Mundial - David Jordan
  • Stalingrado - Rupert Mattews
  • A Segunda Guerra Mundial - Philippe Masson
  • Èramos jovens na guerra - Sarah Wallis e Svetlana Palmer
  • Inferno (o mundo em guerra) - Max Hastings
  • Vitória no Pacífico - Karen Farrington
  • O dia D - Stephen Ambrose
  • 22 Britannia Road - Amanda Hodgkinson
  • A loucura de Stalin - Constantine Pleshakov
  • Operações secretas da Segunda Guerra Mundial - Jesus Hernandez
  • O diário de Anne Frank
  • O menino do pijama listrado - John Boyne
  • A menina que roubava livros - Marcus Zusak


Os diferentes olhares da guerra


"Os canhões ficaram disparando até o amanhecer. Ainda não superei meu medo de aviões e tiros, e me arrasto até a cama de papai quase todas as noites, em busca de conforto. Sei que parece criancice, mas espere até isso acontecer com você! Os canhões que atacam fazem tanto barulho que você não consegue ouvir sua própria voz".

             O diário de Anne Frank. Edições BestBolso  21a edição, 2013. pg.105

Os canhões foram muito utilizados nas guerras mundiais e em outras. Eles são eficientes contra grandes grupos de inimigos. O barulho é aterrorizante, como a Anne diz no livro. As pessoas dentro dessa máquina ou o superior aprovam e utilizam essa arma sem nenhum sentimento, enquanto outros vivem com o medo de ser atingido.


O remorso da salvação

             "Temos muita sorte aqui, longe do tumulto. Não pensaríamos sequer por um minuto em todo esse sofrimento se não estivéssemos tão preocupados com as pessoas queridas, a quem não podemos ajudar. Sinto-me má ao dormir numa cama quente, enquanto em algum lugar meus melhores amigos estão caindo de exaustão ou sendo derrubados.
             Fico apavorada quando penso em amigos íntimos que agora estão à mercê dos monstros mais cruéis que já assolaram a terra.
            E tudo porque são judeus."

                                                      O diário de Anne Frank. Edições BestBolso   21ª edição, 2013.p.87


      Anne ficava feliz ao perceber que tinha um refúgio seguro e bem confortável, comparando a situação de seus amigos nos campos de concentração. O grande genocídio (Holocausto) levou sofrimentos a todos os judeus e outros envolvidos. Os que não tinham direito, segundo os nazistas, dependiam dos Aliados, mesmo estes não tendo relação com os judeus.                                                                                                                Os judeus foram extremamente injustiçados e discriminados apenas por sua preferência religiosa. Era um ódio inexplicável, antigamente e até hoje.