quarta-feira, 19 de abril de 2017

Bestialidade humana

          Até que ponto o ser humano pode chegar? A crueldade tem limites? Dizem que quando não há guerra é um período de paz, mas o homem não sabe viver sem guerra. Os motivos são vários: ambição financeira, política, extremismo religioso ou ideias tendentes a psicopatia. Exterminar uma "raça", uma classe, destruir cidades, países, patrimônios são todas coisas execráveis. Comportamentos que assustam a maioria. Pessoas que provocam isso dominam o logos, o diálogo. a maioria destas se comporta como verdadeiros professores de oratória. Envolvem a persuasão, entram na mente do ouvinte, resgatando os mais profundos desejos e prometendo que no fim este desejo seria realizado, independente do que seria feito para chegar a esta situação final.
          Sempre existe radicalismo, em todos os âmbitos possíveis. Não importa se é direita ou esquerda, religioso ou não, haverá fundamentalismo de uma minoria. E é essa minoria radical que começa os atos violentos. A caminhada da humanidade sobre a Terra foi marcada pela guerra. O desenvolvimento normalmente está ligado a produção bélica e tecnológica. Sentimentos como ódio, medo e angústia crescem com a "injustiça", a ambição humana. O que é realmente importante? Poder. Este pode variar, mas sempre vai ser poder. Por terra, por dinheiro, por nome, por virtudes. O melhor se destaca e comanda, por isso muitos querem ser o melhor.
          Exemplos de poder por terras e guerras são vistos desde a Antiguidade. A civilização helênica protegia suas fronteiras do interesse persa nas Guerras Médicas. Os romanos, além de protegerem seu território, conquistaram o dos cartaginenses nas Guerras Púnicas.
          A persuasão sempre presente. Patriotismo ao extremo. Etnocentrismo. Houve uma verdadeira hecatombe na América com a colonização europeia. E, evidentemente, um extermínio de judeus (e não somente judeus) na Segunda Guerra. Massacre dos desiguais rebaixados originado pela ilusão de superioridade. O ser humano conseguiu construir algo a sua imagem e semelhança: tanques, armas, bombas. A necessidade de matar e guerrear está impregnada nos homens e essa é a "natureza" com que crescemos, aprendemos a lidar e a estudar. Essa é a bestialidade humana.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

A ditadura da felicidade nas mídias sociais - Comportamento artificial

          A sociedade contemporânea depende cada vez mais da tecnologia, seja para estudos e trabalhos ou para lazer. O convívio social está baseado em como cada pessoa é aos olhos das outras, pessoalmente ou em redes sociais. É impossível ter algum momento onde ninguém esteja "conectado". A vida virtual, que já era real, mas não presencial, está se tornando a nossa nua e crua realidade.
          Ao ter "status", ou seja, ter inúmeros amigos, curtidas, entre outros desempenhos na rede, a pessoa é valorizada. Essa valorização se dá apenas pela produção de fotos e pela disseminação de um conteúdo comum. As mídias sociais generalizam as pessoas e deixam de representar o que cada um tem de único. O que ocorre é basicamente uma hegemonia cultural de acordo com aquilo que é imposto como o padrão.
          Se o que todos querem é felicidade e uma vida sem nenhum problema, a maioria forja essa vida e passa nas redes sociais como sendo a verdadeira ou só divulga coisas boas. Esta maioria está guardando o que tem de "ruim" e de tanto acumular esses sentimentos acaba desenvolvendo doenças, como a depressão e o excesso de estresse. Não haverá um grande apoio instantaneamente porque para os outros e para a mídia social, essa pessoa doente não tem problemas e está feliz.
          Ter a vida fundamentada nas redes é superficializar os pensamentos e as ações. Passar uma boa imagem já está enraizado na consciência de muitos que nasceram recentemente, na "era digital". A produção cultural, muitas vezes, é realmente uma produção em massa, com equipes e fórmulas que sempre levam ao mesmo padrão, felicidade. As mídias sociais estão fabricando indivíduos superficiais que não se importam com a reflexão e a profundidade da vida e que usam uma máscara de boa aparência artificial.
          É um processo complexo que precisa de ações ainda mais complexas para se resolver. Diante disso, necessita-se de uma reforma cultural, na qual se ensine aos mais jovens a refletir e ver o que é belo no mundo e não somente a beleza e a falsa e tão desejada felicidade.